SOS Serra Vermelha

Ajude a preservar a última floresta do semi-árido nordestino. Peça a criação do Parque Nacional Serra Vermelha. Mande um e-mail para o presidente LULA: www.presidencia.gov.br/presidente/falecom

8

de

fevereiro

Campanha ganha apoio na Paraíba

JORNAL A UNIÃO, DE JOÃO PESSOA, ENTRA NA MOBILIZAÇÃO PARA SALVAR A SERRA VERMELHA

O caderno de Turismo do jornal "A União", de João Pessoa (PB), entrou na campanha SOS Serra Vermelha e publicou, na contra-capa do caderno, o cartaz do movimento ambiental. O veículo paraibano também fez duas matérias sobre o caso Serra Vermelha. Numa delas, o destaque é para beleza natural da região. Na outra reportagem, o enfoque é para a campanha SOS SERRA VERMELHA 

Com circulação nas principais cidades da Paraíba, o jornal tem se destacado nos últimos anos pela promoção das belezas nordestinas, em especial da Paraíba.

O Jornal "A União" pode ser encontrado nas bancas de jornais de todo o Estado da Paraíba, além das principais praças nacionais, como Recife e São Paulo. 

8

de

fevereiro

ESCÂNDALO NACIONAL

ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CONFIRMADO: GOVERNADOR WELLINGTON DIAS (PT) RECEBEU RECURSOS DA JB CARBON PARA SUA REELEIÇÃO

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), recebeu ajuda financeira da empresa carioca JB Carbon S/A na sua campanha pela reeleição. Esse fato pode explicar o silêncio do Governo do Estado em relação ao projeto Energia Verde, empreendimento que deseja derrubar 78 mil hectares de florestas nativas no sul do estado.

Além da ajuda oficial (o documento se encontra no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí), o governador afirmou, em entrevista ao Jornal Meio Norte, que "a exploração é feita de maneira racional pela empresa JB Carbon".

Em outra matéria sobre o caso, Wellington Dias disse: "a primeira impressão que se tem da produção de carvão é a da fumaça e da destruição, mas é preciso levar em conta que as pessoas precisam de carvão para o churrasco, para a cozinha e para assar pizza".

Em 2006, o Governo do Estado do Piauí, através de decreto assinado pelo governador Wellington Dias, concedeu a empresa JB Carbon, total isenção fiscal para produção de carvão e mel durante dois anos na Serra Vermelha.

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REDE DE ONG´s DA MATA ATLÂNTICA PUBLICA BOLETIM SOBRE O CASO SERRA VERMELHA - Veja os link´s:

http://www.rma.org.br/v3/action/news/detail.php?id=1353

http://www.rma.org.br/v3/action/newsletter/index.php?id=3186

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JB CARBON S/A GANHA AUTORIZAÇÃO PARA PROSPECTAR MINÉRIO DE FERRO NA SERRA VERMELHA

Não foi só a produção de carvão que atraiu a empresa JB Carbon para a região da Serra Vermelha. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), concedeu duas autorizações para o grupo carioca pesquisar a existência de minério de ferro na Serra Vermelha, na zona rural do município de Morro Cabeça no Tempo.

Dessa forma, o empreendimento fecha o ciclo de produção. Ou seja, além de abastecer as indústrias siderúrgicas do Brasil e do exterior com carvão vegetal, no futuro ela também poderá vender minério de ferro.

8

de

fevereiro

Ajude a proteger nossas florestas

PEÇA A CRIAÇÃO DO PARQUE NACIONAL DA SERRA VERMELHA

UMA CAMPANHA DA                          FUNDAÇÃO RIO PARNAÍBA

                        

apoio:

FUNDAÇÃO MUSEU DO HOMEM AMERICANO (PI) www.fumdham.org.br

FUNDAÇÃO CULTURAL RAÍZES DO PIAUÍ (PI)

FUNDAÇÃO NOGUEIRA TAPETY (PI) www.fnt.org.br

FUNDAÇÃO VELHO MONGE (PI)

FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA - FETAG (PI)

SINDICATO DOS JORNALISTAS DO PIAUÍ

PROJETO AMBIENTE-SE - Universidade Federal do Piauí

REDE DE ONGs da MATA ATLÂNTICA http://www.rma.org.br/v3/action/template/display.php?style=index

ONG NOVA CONSCIÊNCIA (PB) www.novaconsciencia.multiply.com

SOCIEDADE FORMIGAS (MT) www.sociedadeformigas.org.br

REVISTA COM CIÊNCIA AMBIENTAL (SP)http://www.casalatina.com.br/produtos_revcomciencia.html

8

de

fevereiro

Apoio da mídia brasileira

REVISTA HORIZONTE GEOGRÁFICO TRAZ REPORTAGEM SOBRE SERRA VERMELHA

Outro veículo de circulação nacional que também publica reportagem sobre a Serra Vermelha, em sua edição de fevereiro, é a revista Horizonte Geográfico, de São Paulo, que há mais de 20 anos se dedica ao meio ambiente do Brasil e do mundo. Com reportagem do premiado jornalista Sérgio Adeodato, a revista enfoca a possibilidade de criação do Parque Nacional Serra Vermelha na área que vem sendo devastada pelo projeto Energia Verde.

6

de

fevereiro

REPERCUSSÃO NACIONAL

REVISTA AMBIENTAL CHEGA ÀS BANCAS COM DESTAQUE PARA SERRA VERMELHA

A revista Com Ciência Ambiental, publicada pela editora Casa Latina, de São Paulo, chega às bancas de todo país nessa terça-feira (06) com a capa e a principal reportagem de sua edição de fevereiro 2007 dedicadas ao caso Serra Vermelha.

Em extensa matéria de 12 páginas, a publicação denuncia o projeto Energia Verde, que pretende desmatar 78 mil hectares de Carrasco - uma mescla de Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica - para produção de carvão vegetal visando abastecer as indústrias siderúrgicas do Brasil e do exterior, que produzem ferro-gusa.

A publicação mensal é dirigida as instituições de ensino superior e médio, os institutos de pesquisa, as agências e órgãos ambientais, as instituições civis que se dedicam às questões ecológicas, as empresas, as bancas de jornais, as revistarias e as livrarias das principais praças brasileiras.

5

de

fevereiro

Qual será o futuro dos filhotes dessa Inhuma?

CANTO INSUBMISSO

Rogério Newton 
 

Enquanto o leitor folheia o jornal, corre os olhos pelas páginas e se depara com as palavras que agora lê, uma floresta vira carvão. Ele não vê o crepitar da madeira, a fumaça, o fogo avermelhado, nem sente o calor dos fornos enfileirados. A extensa área já desmatada pelas motosserras, os pássaros assustados, os animais mortos, o cemitério de árvores empilhadas esperando a hora de serem lançadas ao fogo. As carretas que esmagam as poças de lama. Os homens cuja força é usada para o trabalho pesado da morte.  

Nada disso o leitor vê, mas pode ter visto as imagens que a televisão mostrou ou alguma fotografia no jornal. Cenas do inferno e do céu. Porque, ao mesmo tempo em que se instalou e funciona a todo vapor um campo de morte em plena floresta, a vida circundante desta mesma floresta revela-se para nós generosamente bela. Eu nunca tinha visto uma inhuma, nem mesmo sabia da existência dessa ave de plumagem azul escura, quase negra. Nunca tinha visto um maguari voando soberano e outros pássaros que a lente do cinegrafista captou.  

Quem viu a reportagem na TV e não se emocionou tem o coração tão duro como as muralhas de pedra da Serra Vermelha, entre as quais um rio de árvores nativas existe há séculos, abrigando as vidas da caatinga. Entre os paredões, nos lugares onde as motosserras passaram, ficou um cemitério de tocos, que vai servir para pastagem do gado ou plantio de soja. Deu pra ver bem o contraste entre a terra despida e sem graça e a exuberância do manto de árvores. 

Não se assuste, seu moço: isso é o sertão de rosas graciliânicas. A imensa lagoa de nome para nós ainda desconhecido não é um cartão postal. Não devemos permitir que seja. É apenas um lugar lindo onde se dá, com licença do poeta William, o congresso das águas, em que a pequena formiga vale tanto quanto o vôo da inhuma, mas os passarinhos, como diria outro poeta, são mais importantes que os senadores. 

Quando golpeava as teclas escrevendo esta crônica, que, se eu pudesse, transformaria em desespero, alguém me telefonou avisando que estava passando um debate na TV sobre o desmatamento. Fiquei assustado porque quase todos os debatedores se apegaram a tecnicalidades e defenderam mais seus pontos de vista, as instituições e as leis do que as florestas e a vida protegidas por elas. Esses senhores vêem o relatório tal, a resolução tal, publicada no Diário Oficial tal, mas não vêem a floresta. A exceção de um deles, ninguém apreciou, por exemplo, a casaca-de-couro, o arapaçu ou o tem-farinha-aí, nem o canto estridente do bando de curicacas no céu azul do Piauí. Não vi uma palavra de admiração ou afeto pelos seres belos, livres e selvagens, nem sobre a formosura e o mistério daquelas paragens. Por pouco, dois dos debatedores não gritaram: __ “Viva a lei! Viva o dinheiro! Abaixo a Vida!” 

 Há algo de surrealismo e nonsense nas cenas que a TV filmou, em que aparecem trezentos fornos enfileirados, a fumaça, o lamaçal na terra encharcada pela chuva, os caminhões cheios de carvão, tudo isso no meio da mata virgem. Os altos fornos das indústrias siderúrgicas precisam matar a fome. Por isso, devoram a floresta. Essa voracidade não é de hoje: já engoliu outras matas. Agora deseja a caatinga verde e virgem do sertão do Piauí. Depois, quando plantar o deserto aqui, sairá em busca de florestas cada vez mais longínquas, pois insaciáveis são os fornos gigantes. 

Ao acompanhar a coleta de assinaturas contra esse absurdo, vi nos olhos e nas palavras de muitas pessoas a indignação pulsando da “nobre cólera dos justos”.  Ouvi pessoas de todas as idades que não aceitam ver a floresta se transformar em cinzas. Para isso não tecem raciocínio enviesado ou falsamente brilhante. Não recorrem a obscuros artigos de lei, tabelas, gráficos, nem se perdem em “manifestações de apreço ao sr. diretor” Apenas têm afeto pela vida. 

Uma delas me disse que precisamos construir uma nova civilização em que homem e natureza se apóiem mutuamente. Como? Ela não sabe exatamente, mas tem pistas: nessa civilização não pode faltar o vôo da inhuma e do maguari pairando sobre a lagoa desconhecida ou sobre o manto verde que abriga todos os seres, nossos irmãos, dentre eles, as curicacas de canto estridente e insubmisso do clarazul céu do Piauí.

3

de

fevereiro

Biodiversidade em troca de carvão

VERMELHO-SANGUE

Cineas Santos*

Quando a irrequieta Tânia Martins me comunicou o processo de destruição da cobertura vegetal da Serra Vermelha, julguei ter ouvido mal: 78 mil hectares? Confesso, um tantinho envergonhado, que, embora tenha estudado rudimentos da aritmétrica, não consigo imaginar com precisão a extensão da área.

Explico: Seu Liberato, meu pai, durante mais de 60 anos, cultivou uma gleba de 100 hectares, no sertão do Caracol. Terra árida, pobre, sem água e, para piorar, distante de quase tudo. A despeito disso, ao morrer, em 84, deixou praticamente metade da gleba intocada.

Seu Liba era um humilde lavrador que não fazia versos, não tocava viola, não assinava manifestos e, ao longo da vida, nunca ouviu falar de ecologia. Estudou exatos 3 meses (isso mesmo), tempo suficiente para aprender a assinar o nome e realizar as quatro operações matemáticas de que necessitaria ao longo da vida.

O velho sabia, por intuição, que a Terra é viva, por estar sempre prenhe de vida. Regando-a, às vezes, com o suor do próprio corpo, dela retirava o sustento da família sem jamais exauri-la. Tinha horror a queimadas, não caçava animais silvestres nem pescava. Plantava mandioca, milho, feijão e gergelim. Possuia três roças, que utilizava num sistema de rodízio, deixando uma delas "em descanso" por algum tempo.

Sua máxima preferida: "Quem guarda tem". Todo esse volteio tem um objetivo: demonstrar o quanto aprendi com aquele sertanejo que jamais pronunciou corretamente o meu nome (invenção de dona Purcina): chamava-me Cineso.

De repente, vejo na TV "doutores", "ambientalistas", "técnicos" e políticos de todas as plumagens defendendo o indefensável; justificando o injustificável: a destruição de um bioma que nem sequer foi devidamente estudado. Paradoxalmente, o nome do crime é "Energia Verde". Perpetrado pela JB Carbon S/A, o delito traz as impressões digitais do IBAMA que, em tese, deveria denunciá-lo, e a chancela da Secretaria do Meio Ambiente do Piauí.

As imagens mostradas pelo Globo Repórter (dia 26) são estarrecedoras, para dizer o mínimo: 300 fornos, enfileirados, transformando árvores centenárias em carvão vegetal. Para os responsáveis pela exploração da madeira, o projeto é ecologicamente correto e economicamente sustentável". No entender dos "sábios", não se trata de desmatamento e sim de "manejo sustentável" da floresta.

A área total a ser devastada compreende nada menos de 78 mil hectares; é tão grande que se estende por três municípios Curimatá, Redenção do Gurguéia e Morro Cabeça no Tempo. Trata-se, segundo pesquisadores, de uma "área de recarga", indispensável à alimentação dos mananciais que nascem na Serra Vermelha.

Por ser um bioma único (caatinga arbustiva), alguns dos animais que povoam a região não sobrevivem fora daquele habitat. A destruição da cobertura vegetal da Serra Vermelha trará uma série de implicações: empobrecimento do solo, assoreamento dos cursos d´água e comprometimento da fauna.

Com a palavra, as autoridades competentes. Os assessores da ministra Marina Silva e do governador Wellington Dias deveriam comunicar-lhes que quem tem o dever legal de proteger o patrimônio público e não o faz é, no mínimo negligente. E no caso, negligência é crime, crime imprescritível. O futuro não perdoa.

*Cineas Santos é cronista

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