3
de
fevereiro
Biodiversidade em troca de carvão
VERMELHO-SANGUE
Cineas Santos*
Quando a irrequieta Tânia Martins me comunicou o processo de destruição da cobertura vegetal da Serra Vermelha, julguei ter ouvido mal: 78 mil hectares? Confesso, um tantinho envergonhado, que, embora tenha estudado rudimentos da aritmétrica, não consigo imaginar com precisão a extensão da área.
Explico: Seu Liberato, meu pai, durante mais de 60 anos, cultivou uma gleba de 100 hectares, no sertão do Caracol. Terra árida, pobre, sem água e, para piorar, distante de quase tudo. A despeito disso, ao morrer, em 84, deixou praticamente metade da gleba intocada.
Seu Liba era um humilde lavrador que não fazia versos, não tocava viola, não assinava manifestos e, ao longo da vida, nunca ouviu falar de ecologia. Estudou exatos 3 meses (isso mesmo), tempo suficiente para aprender a assinar o nome e realizar as quatro operações matemáticas de que necessitaria ao longo da vida.
O velho sabia, por intuição, que a Terra é viva, por estar sempre prenhe de vida. Regando-a, às vezes, com o suor do próprio corpo, dela retirava o sustento da família sem jamais exauri-la. Tinha horror a queimadas, não caçava animais silvestres nem pescava. Plantava mandioca, milho, feijão e gergelim. Possuia três roças, que utilizava num sistema de rodízio, deixando uma delas "em descanso" por algum tempo.
Sua máxima preferida: "Quem guarda tem". Todo esse volteio tem um objetivo: demonstrar o quanto aprendi com aquele sertanejo que jamais pronunciou corretamente o meu nome (invenção de dona Purcina): chamava-me Cineso.
De repente, vejo na TV "doutores", "ambientalistas", "técnicos" e políticos de todas as plumagens defendendo o indefensável; justificando o injustificável: a destruição de um bioma que nem sequer foi devidamente estudado. Paradoxalmente, o nome do crime é "Energia Verde". Perpetrado pela JB Carbon S/A, o delito traz as impressões digitais do IBAMA que, em tese, deveria denunciá-lo, e a chancela da Secretaria do Meio Ambiente do Piauí.
As imagens mostradas pelo Globo Repórter (dia 26) são estarrecedoras, para dizer o mínimo: 300 fornos, enfileirados, transformando árvores centenárias em carvão vegetal. Para os responsáveis pela exploração da madeira, o projeto é ecologicamente correto e economicamente sustentável". No entender dos "sábios", não se trata de desmatamento e sim de "manejo sustentável" da floresta.
A área total a ser devastada compreende nada menos de 78 mil hectares; é tão grande que se estende por três municípios Curimatá, Redenção do Gurguéia e Morro Cabeça no Tempo. Trata-se, segundo pesquisadores, de uma "área de recarga", indispensável à alimentação dos mananciais que nascem na Serra Vermelha.
Por ser um bioma único (caatinga arbustiva), alguns dos animais que povoam a região não sobrevivem fora daquele habitat. A destruição da cobertura vegetal da Serra Vermelha trará uma série de implicações: empobrecimento do solo, assoreamento dos cursos d´água e comprometimento da fauna.
Com a palavra, as autoridades competentes. Os assessores da ministra Marina Silva e do governador Wellington Dias deveriam comunicar-lhes que quem tem o dever legal de proteger o patrimônio público e não o faz é, no mínimo negligente. E no caso, negligência é crime, crime imprescritível. O futuro não perdoa.
*Cineas Santos é cronista


Comentário por RAONI SAADE — domingo, 4 de fevereiro de 2007 (12:14:25)
Nossa Organização, a qual, esta sediada no portal de entrada para amazônia(nortão matogrossense), fica indiginada por o IBAMA, não echergar que não existirá sustentabilidade alguma neste projeto enegia verde!!!!!!!; e que a muito mais que interesse na produção de 4 BILHÕES de KG de Carvão de mata nativa(Carrasco)
A única palavra que se encaixe com esta atitute é IGNORÂNCIA, por não encontrar nenhuma outra forma de desenvolvimento para a região.
Indignada
Sociedade Fomigas - MT
Comentário por Sociedade Formigas - SSAAC — domingo, 4 de fevereiro de 2007 (15:43:56)
O analfabetismo ambiental é com certeza a maior ameaça a sustentabilidade humana.
A Amazônia, Cerrado e Pantanal sob a pressão dos grandes latifundiários. Agora, temos a Caatinga na Serra Vermelha - PiauÃ, com seu parque de fumegantes carvoarias. Trata-se realmente do puro desconhecimento das questões ambientais, estas, por sua vez acima de qualquer outro interesse.
Segundo o que aconteceu na semana passada em Paris. O “ Chamado de Paris” reuniu 45 paÃses para e pela criação da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente, um colegiado universal. “Hoje sabemos que a humanidade esta destruindo a uma velocidade aterrorizadora, os recursos e equilÃbrios que permitam seu desenvolvimento, e que determinam seu futuro. Chegou o momento de sermos lúcidos. De reconhecer que chegamos ao limite do irreversÃvel, do irreparável”, afirmou a declaração final da Conferencia.
Dizem mais ainda: “Conscientes do custo da inação, nos comprometemos. Cada um em seu Âmbito a fazer da preocupação pelo meio ambiente o centro de nossa decisão e iniciativas e a tomar as medidas indispensáveis para acabar com os perigos que ameaçam a sobrevivência da humanidade”.
O bioma de caatinga arbustiva deve ser protegido a todo custo sem nenhuma reserva de esforços dos órgãos competentes localmente, estadualmente e nacionalmente, bem como, a oferta de alternativas econômicas de produção e renda para as famÃlias que sobrevivem da extração carvoeira, já que este modelo econômico social se mostrou incompatÃvel neste território.
Neste sentido apelamos a nossa representante maio, Ministra Marina Silva que intervenha imediatamente a favor da Serra Vermelha patrimônio indispensável ao ecossistema humanitária. O carvão não garantirá nossa sobrevivência!
..
Comentário por Jeovah de Moura Nunes — quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007 (14:04:14)
Meu Deus!
Não consigo imaginar o que é o homem.
O que é o homem?
O que é o homem brasileiro?
Um porcaria… Um ser indigno de ser humano…
Meu Deus!
O planeta é tão humilde…
O homem é tão imbecil que não merece esta casa, chamada de planeta.
Não espero complacência para o que nós fazemos de ruim aqui na Terra. Espero dias terrÃveis para todos: inocentes e carrascos da natureza.
Mas, se Deus for justo, como todos esperam, aqueles que transformaram esse planeta num braseiro vai ter que enfrentar homens como eu e tantos outros…
E, então, seremos carrascos desses imbecis…
Teremos prazer em queimá-los vivos pela eternidade…
Ah! Pessoal espero suas ter suas desculpas para este meu desabafo!
Espero que vocês compreendam a minha dor!
Sou piauiense, vivo em São Paulo, mas nunca vi gente tão educada como os paulistas; e, gente tão deselegante como os nordestinos do PiauÃ.
Comentário por Naeno — sábado, 24 de fevereiro de 2007 (22:41:37)
POEMA AMIGO
O que é que tanto martela,
Cutela, cutela, cutela, cutela.
Por que tanto se destrói
E rói, e rói, e rói, e rói.
Porque é que só corta a planta,
E não se planta… Ô anta, ô anta.
Porque é que quem queima
Não cheira, cheira,
Até morrer pelos pulmões.
Porque é que matam os veados,
Bichos, bichas, revoltados.
Não se mata pra comer,
Que inconseqüência, a consciência do animal,
Que entre os bichos é lei, um bicho come um outro igual.
Em vez de mexer com a flora, te dar agora
A animalidade de pensar.
Porque esse grito de madeira…..
Que na mata já se fura inteira.
E todos nós já matamos,
Não há um dono este lugar,
Matamos… Comendo tudo,
Deixando outros esfomeados.
Porque a fumaça que assa e despedaça
Milenares troncos verdes,
Porque essa sede em acabar,
Teu ódio é do mundo inteiro.
Te amarras com todos os cipós,
Reforças os nós, até virar pó, uma sobra igual,
De santo só temos uns nomes,
A nossa fome é canibal.
A Andiroba caiu, pendeu por cima da Cipaúba,
Cortaram bem pelo tronco a morrer cedo a Ccarnaúba,
Puseram abaixo o Ipê, o roxo o branco e o amarelo,
Coitada da CopaÃba desceram aos montes rio arriba.
O mico leão, o micro, macaquinho tão risonhos
Hoje estão presos, aos caprichos,
E ninguém sabe pra onde.
Mas que desgosto tem Deus,
Ao ver roubado o que é seu,
E de bom inda irá chorar,
Quando o último homem
Ver que morreu.
Comentário por Naeno — sábado, 24 de fevereiro de 2007 (22:43:24)
A CIDADE DOS MEUS OLHOS
Já houve um tempo em que da janela,
Eu via uma cidade projetada na calçada,
Um espaço curto e fraterno,
Onde as pessoas se acenavam de perto,
Beijavam-se de perto,
Despediam-se de perto,
E se abraçavam várias vezes no dia.
A janela existe com uma fila de jarros,
Com flores silvestres, tiradas dos beirais das serras.
Meus olhos me arremetem ao tempo da Cidade,
Agora esverdeada em sua base,
E colorida em seu cume.
Mas deu noutro lugar diferente.
As pessoas de dispersaram,
Alguns venderam outros compraram,
Pedaços, vãos inteiros de terras.
E tomaram distância umas das outras
Ainda bem que resistiu o amor.
E elas agora se beijam de longe,
Acenam-se de longe,
Despedem-se de longe,
E quase não se vêem.
Comentário por Naeno — sábado, 24 de fevereiro de 2007 (22:45:09)
AURORA
Mesmo antes de se projetarem os homens
Já a aurora de olhos róseos
Surgia todas as manhãs
Como experimento, por obrigação.
Ainda não na sua forma de rosa,
Como fora antes dos tantos olhares.
A minha aurora baixa num cordão suspenso,
Um fio tênue, leve e só a ela se vê.
E pelos ventos descidos, frios.
Ela se posta, se assenta no chão.
E num rompante se dissolve,
Absorve-a inteira o sol, na sua vez,
Como uma clareira, buraco claro
Farol de carro dentro da noite.
Desde o princÃpio o sol tem esse papel e acata a ordem.
Não falha nunca e recebe o dia
Das mãos da aurora
E se entrega à tarde, se adiantando,
Que não o recebe e aguarda a noite
Um manto negro que tudo cobre,
Vazando apenas pelos poros do corpo, as estrelas.
Como se vê, são sempre claros
Os cumes do mundo e tudo ao céu,
Como tem luzes ante a cobertura,
Que prima o céu.
Logo vem a aurora, na sua hora
Comentário por Naeno — sábado, 24 de fevereiro de 2007 (22:51:44)
A CASA DO MEU AVÔ
A casa do meu avô ficava num alto
O mais alto escalvário do lugar.
Tinha seis janelas grandes na frente,
No meio, medida palmo a palmo furava a porta,
E pra se chegar até o batente
Cinco degraus davam pro chão e davam pra cima.
Os esteios dos oitões eram de aroeiras, duas de cada lado,
Três janelas de cada lado davam para os quartos da frente,
E duas perto da porta davam para a grande sala
Ocupada por dois bancos de Angelim, uma mesa.
De madeira e grude, e mais uns cinco tamboretes
Forrado com couro de boi, sem tratar.
Era assim a casa do meu avô, onde meu pai nasceu,
As aroeiras até pouco tempo resistiriam ao peso
Das telhas lodoentas e encharcadas.
E foi abaixo o imponderável, o que se esperava
Ver de suas janelas o fim do mundo.
Meu avô foi antes, subiu aos céus por uns degraus azuis.
Meu pai, que lembro moço andando sobre a calcada alta,
Ainda moço, bonito, com as duas mãos nos bolsos,
Pra lá e pra cá, como peixinho na beira da aguada,
Ia e vinha, ia e vinha, até entrar de vez, se sentar.
Também meu pai se foi e foi agora, depois que
O casarão já tinha ruÃdo. Ele também com certeza
Já subiu pelos mesmos degraus azuis que fez meu avô.
Hoje do que falo, do que calo, do que vale
Eu sonhar, pensar e chorar acordado,
Resta ainda muito, um monte imensurável
De adobes e telhas verdes. E quando ainda hoje vejo,
Do casarão não me lembro. Lembro do meu Avô de meu Pai,
Subindo os sete degraus rumando os céus
Comentário por Naeno — domingo, 25 de fevereiro de 2007 (12:29:53)
Problemas de insegurança, nem falo segurança, meio ambiente, o brasileiro mais que todos os povos do mundo, são conhecedores. Pelo menos teoricamente. No entanto, em nenhuma das duas áresas de ver ações, que nas quais pudéssemos confiar como coisa viável. Teorizam, teorizam. Fazem mestrado, vão à simpósios, discutem como conhecedores profundos. Mas não mostram ação. A aação é do que precisamos. Quer ver como a ação faz a diferença. O serra-pau, está a derrubar a floresta, e está consequinto dizimar algumas árvores irrecuperáveis, como a Aroeira, algumas espécies de paus d’arco, e outras tantas. Ele está obtendo o resultado de sua ação. Cortar, dissecar o solo. Neste campo a falta de ação: Os nossos ecologistas ficam a colocar anel em papagaio, projetarem cartazes bonitas. Comparando a audácia e agilidade do Serra- Pau, não estão fazendo absolutamente nada. Outro exemplo: Os bandidos continuam traficando, matando, sequetrando. E estão obtendo resultado. Enquando a polÃcia fica fazendo filme junto com a imprensa no meio da rua, dando nome aos personagens Fernandinho Beira-Mar, Elias Maculo, todos conhedidos internacionalmente.
E eu tenho uma certeza de que quando nós deixarmos nossos filhos em casa, como fazem os militares na guerra e partirmos para uma guerra contra as aberrações que se vê, de bandidagem desflorestamento. Quando marcharmos por sobre as autoridades, porque o interesse é nosso e não deles, comprovadamente do lado do ruim, conseguiremos reverter essa situação.
Um exército de proventores.
Nateno