SOS Serra Vermelha

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21

de

maio

RESPOSTA AO SECRETÁRIO DE MEIO AMBIENTE DO PIAUÍ

 

ENGENHEIRO FAZ DURAS CRITICAS AO PROJETO ENERGIA VERDE

DOCUMENTO FOI ELABORADO EM RESPOSTA AO SECRETÁRIO DALTON MACAMBIRA QUE VIROU GAROTO PROPAGANDA DO EMPREENDIMENTO CARIOCA

 
Eng. Heitor Castelo Branco Filho*

TEXTO EDITADO PARA PUBLICAÇÃO:

Professor Dalton Macambira,

Quanto a devastação da Serra Vermelha não há argumentos, mesmo os "influenciados" pela " destruidora de matas", que convença alguém de
mentalidade superior, quanto aos incalculáveis prejuízos ambientais que uma derrubada de mata ocasiona.

O Sr. somente fala dos vegetais cremados. E os bichos, os milhares de seres que vão ser destruídos ? Isso não conta ? Saiba que eles são brasileiros e exigem respeito. Têm direitos previstos na Constituição Federal.

De início, devo lhe afirmar que estamos falando de MATA, não de vegetação arbustiva de chapada, cerrado ou carrascos, como nas planícies de Brasília, Goiás, Sta Filomena e Balsas, no Maranhão, onde plantam leguminosas.

Afirmo que no Nordeste, que é contemplado com cerca de oito meses sem umidade no solo, mata derrubada, é mata extinta. Não há recuperação. Na Amazônia, paradoxamente, a situação embora com excesso de umidade, é também crítica, pois os solos são paupérrimos em húmus.

Sr. Professor Macambira, tenha em vista, e que isso fique bem patente, que não sou contra a empresa ENERGIA VERDE. Não a conheço e nunca vi qualquer de seus membros.

Sou, certamente, contra qualquer entidade que queira ou venha a desejar desmatar a mata da Serra Vermelha. Seja para transformar em carvão, em madeira comercial, em plantação de soja, de mamona, para tirar ouro, diamante ou qualquer outro engodo para os aficionados pelo vil metal, custando o que custar ao pobre Estado do Piauí.

Os argumentos segundo os quais, a mata ao renascer, vai absorvendo e recupera TODO o carbono que lançou durante a sua carbonização, na
atmosfera, é mera suposição e não tem o menor valor científico. Posso lhe enviar as fotos da mata da Serra Vermelha com madeiros de grande diâmetro, para que o Sr. bem possa avaliar.

O senhor acha que um Ipê de um metro de diâmetro se recupera em 14 anos ? Pois são milhões de árvores de diversas espécies, com esse diâmetro, que vai para a fornalha! Essas essências, demorariam mais de cem anos para retornarem ao tamanho original.!

Quanto aos Prefeitos que mandaram requerimentos pedindo que o Ministério ou o Ibama permita o desmatamento, é fácil saber, para quem tem experiência de vida, que essas personalidades estão saindo de eleições nas quais se elegeram, empenhando todos os seus e os, não seus, recursos, e, por via disso, estão estressados, cansados, alquebrados, com a mente anuviada e estonteada pelo esforço da campanha, e por conta disso, não podem fugir aos argumentos de uma poderosa empresa que tem o maior poder de convencimento, com gente muito capaz de apresentar eloqüentes falácias, infelizmente
indesejáveis. Portanto, requerimentos desses prefeitos, para os órgãos
superiores, são até desabonadores para a empresa Energia Verde.   

Sua aprovação ao desmatamento da Serra Vermelha não é ponto
pacífico para apoio do projeto Energia Verde que é, isto sim, uma aberração e uma devastação, já agora condenada internacionalmente por declarações de personalidades da AFRICA DO SUL, da ARGENTINA e pela ONU, conforme está inserido no Jornal Meio Norte, edição de 6 de maio e, também, na edição de 17 de maio do corrente ano.

Devastação de matas, na extensão da Serra Vermelha, de 78.000 hectares, é ponto de preocupação internacional. Está vindo uma comitiva de Deputados Federais da Comissão de Desertificação da Câmara Federal para ver localmente, a extensão do desastre, que já é, considerável.

Pode até acontecer que a Energia Verde venha a pagar vultuosas multas e indenizações pela devastação praticada. Não adianta argumentar que foi autorizada, como não se justificaria um Juiz de Direito dizer que uma pessoa pode assassinar um homem. Se essa pessoa o fizer, é criminoso e deve ir para o xilindró.

Todos sabem que essas "mega" empresas multinacionais têm muita facilidade de convencimento e obtenção de autorizações muitas vezes, criminosas ou fora da Lei.

Professor Dalton Macambira: não é conselho, mas um axioma: Não defenda nada contra seu Estado. Não afronte os ditames da sua Secretaria, cujo escopo é defender o meio ambiente do Estado do Piauí. Aqui é o nosso patrimônio, o nosso querido rincão. Não defenda o indefensável, por amizade ou por pedidos de amigos, pois não acredito que o senhor tenha motivações outras.

Esses interesseiros, uma vez terminado o seu propósito de retirar o vil
metal, mesmo deixando para trás a destruição ao nosso pobre Piauí, se
retiram, e nunca mais são vistos, achando graça dos inocentes úteis que conseguiram engabelar.

O senhor tem um grave dever para com seus alunos da Universidade. Eles, - se tomarem conhecimento do seu ponto de vista, - irão certamente citar para o senhor, a grande jornalista Joyce Mc Lean, que afirma :

" QUANDO A ÚLTIMA ÁRVORE FOR CORTADA E O ÚLTIMO RIO FOR ENVENENADO, VOCÊ VAI SABER QUE O DINHEIRO NÃO TEM NENHUM VALOR"

Gilbués está aí para confirmar. O município está pobre, melancólico e
arrependido. Arrependimento tardio. O mel já foi derramado. Uruçuí está a caminho do mesmo destino. Quem viver verá.

Professor Dalton Macambira: não lhe quero mal. Não sou contra ninguém, nem contra nada. Sou unicamente a favor de meu amado rincão, por obrigação constitucional, previsto no artigo abaixo citado:

ARTIGO 225 da CONSTITUIÇÂO FEDERAL
" Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao PODER PÚBLICO e à COLETIVIDADE, o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações"

Eu, o senhor, e todos, temos que obedecer aos ditames da nossa Carta Maior. É nosso dever e nossa OBRIGAÇÃO.

* Engenheiro civil, foi membro e Diretor Geral do DER do Piauí, onde esteve em quase todos os municípios, construindo estradas, pontes, fiscalizando, estudando e conhecendo o meio ambiente piauiense. Foi Superintendente da Estrada de Ferro Central do Piauí e da Rede Ferroviária Federal. Foi Diretor Regional do Departamento de Portos, onde construiu a infra-estrutura para a navegação do Rio Parnaíba e, também, onde administrou durante quase dez anos, a construção do Porto do Itaqui, o maior terminal de minérios e graneis das Américas.

Arquivado em: Meio ambiente I

2 Comentários »

  1. Comentário por cleiton Devesa — quinta-feira, 24 de maio de 2007 (23:44:59)

    Esse artigo não precisa de comentários, é só repassar para que dezenas, centenas, milhares de pessoas o vejam…

  2. Comentário por géssik — terça-feira, 5 de junho de 2007 (14:18:46)

    eu quero pedir pra q a serra vermelha pare de ser desmatada!

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