SOS Serra Vermelha

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dezembro

SITE DA ABIN PUBLICA MATÉRIA SOBRE CARVÃO NO PIAUÍ

AGÊNCIA BRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA ESTÁ PREOCUPADA COM EXPANSÃO DA PRODUÇÃO DE CARVÃO NO INTERIOR DO PIAUÍ

Deslocados pela expansão das lavouras de soja e de cana, pecuaristas começam a desmatar o Sudeste do Piauí e entram no mercado de carvão

Há décadas, o pecuarista Edson Rosa de Oliveira seguiu a trilha do avanço da fronteira agrícola brasileira. Da Bahia, onde nasceu, foi para Goiás, depois para o Mato Grosso. Dois anos atrás, aportou no Sudeste do Piauí. “Estamos sendo empurrados pela soja e, agora, principalmente, pela cana. A procura pelas usinas de álcool encareceu a terra em Goiás e no Mato Grosso”, diz. De fato, o hectare de terra em Novo São Joaquim (MT), onde ainda tem uma fazenda, está na casa de R$ 2 mil. Em Morro Cabeça no Tempo, conseguiu comprar 15 mil hectares a R$ 50 a unidade. Agora tem um mundo de caatinga para desmatar. E fazer carvão.

Remota e isolada, quase na divisa com a porção mais deserta da Bahia, sem um metro de rua calçada, a cidade só este ano assistiu às primeiras aulas do ensino médio. “Nem posto de gasolina tem. Se precisar de um parafuso, tem que comprar for a”, comenta outro fazendeiro recém-chegado, o baiano Tito Albino, que é dono de 2 mil hectares e está instalando 80 fornos de carvão. Todos concordam: Morro Cabeça no Tempo é a nova fronteira agrícola brasileira. Na verdade, todo o Sudeste do Piauí, ainda amplamente coberto de vegetação que transita entre o Cerrado e a Caatinga.

Isael Nunes Moreira seguiu o rastro do carvão que acompanha a abertura de áreas virgens para a agricultura. Começou operando balanças e guinchos numa siderúrgica de Sete Lagoas (MG). Mudou-se para Manbaí (GO), onde gerenciou uma carvoaria de um empresário da cidade mineira. Depois passou 10 anos em Barreiras (BA), igualmente no carvão. Hoje é o encarregado de uma das carvoarias de Edson Rosa em Morro Cabeça no Tempo.

O Ministério Público Federal (MPF) está preocupado com a célere expedição de licenças de desmatamento de vastas propriedades no Sudeste do Piauí. São 48 áreas. Em uma delas, na Serra Vermelha, situada em parte em Morro Cabeça no Tempo, a empresa Energia Verde obteve licença para desmatar 78 mil hectares de um latifúndio de 114 mil hectares. “Essas licenças foram emitidas pela gerência local do Ibama sem nenhum critério”, afirma o titular no Piauí da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), Tranvanvan Feitosa.

A Energia Verde foi embargada pela direção nacional do Ibama depois que o procurador da República ingressou com ação civil pública contra a carvoaria. Em outro caso, o da Brasil Agroenergia, de 25 mil hectares, no município de Canto do Buriti, o MPF requisitou à Polícia Federal abertura de inquérito para apurar o início do desmatamento sem licença ambiental, disse Feitosa.

Segundo o diretor de Uso Sustentado da Biodiversidade e Floresta do Ibama, Marcos Hummel, depois de reunião com o MPF e outras entidades no Piauí, ha cerca de um mês, a direção central do instituto decidiu rever os procedimentos que levaram à emissão de licenças de desmatamento no Sul do Piauí. “Não há dúvida de que o carvão é o grande fomentador desse desmatamento”, afirma.

PARQUES Para tentar proteger parte do Sudeste do Piauí do desmatamento, o Ibama promete criar o Parque Nacional da Serra Vermelha. A medida é reivindicada por entidades do Estado, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pelo MPF, juízes federais, professores da Universidade Federal do Piauí e ambientalistas. “A criação já está decidida no Ibama”, diz Hummel.

A vontade de fazer, no entanto, esbarra na falta de dinheiro. Recentemente, a OAB-PI propôs uma ação civil pública contra o governo federal para garantir a implantação efetiva do Parque Nacional das Nascentes do Parnaíba, no Extremo-Sul do Estado. Criado por decreto em 2002, a área de proteção nem sequer foi demarcada e fazendeiros que ocupam o território movem ações na Justiça contra a criação do parque.

O Parnaíba drena o Piauí de ponta a ponta. Traça uma divisa natural com o Estado do Maranhão. Percorre cerca de 1,3 mil quilômetros até o Oceano Atlântico, onde, dividido em três braços, forma a única foz em forma de delta existente no Brasil.

VEJA MATÉRIA NO SITE DA ABIN:

http://www.abin.gov.br/modules/articles/article.php?id=1393

 

Arquivado em: Meio ambiente I

1 Comentário »

  1. Comentário por Natielle — quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008 (14:21:10)

    estudo em teresina,mas sou de uma BERTOLINIA(cidade que fica na rota dos carvoeiros),fico muito triste quando vejo a falta de interesse para com a serra vermelha,já tive o privilegio de conhece-la e fiquei imprecionada com adiversidade de animais,principalmente aves que dentre elas podemos destacar o papagaio que está cada vez mais raro.Em questão de horas se perde a conta do número de carretas que passam em meu minicipio carregadas de carvão… como se já não bastasse o plantio de soja que faz necessario o desflorestamentto de várias areas daquela região,agora corremos o risco de perder a BIODIVERSIDADE para ter carvão…inacreditavel…SERRA VERMELHA TE QUERO VIVA….

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